sábado, 1 de maio de 2010

Uma Pêra e Uma Manga

em busca de felicidade

Como barata

Cheguei de frente ao portão. Senti um perfume diferente. Se misturava ao doce cheiro da Dama da Noite, vindo do quintal vizinho. Pé carregado de carambolas. Entrei silencioso como pisaduras de gato, ou rastros de rato traiçoeiro. Saí no cano da pia da área de serviço. Esquisito que me lembrei da misteriosa princesa Ana, que guarda seu jardim a sete chaves no seu umbigo, detrás do muro. Me lembrei da sã e pura criatura que espia as flores dela, as criando em pensamento. Divaguei, apenas com a cabeça do lado de fora. Ah se alguém desse descarga. Saí do ralo, já seco e só molhado de suor. Virei a tramela da porta, cheguei na copa, engoli seco, peguei ela lá: abusando de um homem barbudo. Ele jazia de quatro com o nariz tapado, fungando como touro, mas dominado pelo ferro no nariz. Meti o pé nitudo quanto fosse traseiros que estava ao meu alcance. Acabei com a bagunça. Onde se viu, fazer eu mesmo dono de minha casa entrar nela pelo cano? Como barata!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

voz

MAIS UMA VEZ
me reivento
E QUANDO A MÚSICA ACABAR
ja sou outro
POIS CONHEÇO ALGUÉM
em quem confiar

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Cantos da alegria

Oh! Pequeno pássaro
Que inocente, pela campina, voava
Por querer somente sua sina cumprir

Se enforcou no laço inocente
De uma inocente menina
Ela, seus raios de sol
E seu próprio mal

Prendera seu canto
nas cercas de arame de seu quintal
Quisera Deus intervir em tamanho ato cruel
E acabar com crueza do coraçãozinho imbecil

Mas não.
O pequeno peito do pássaro
Se arrebentava nas pontas do arame de metal
Sangrava seu coração,
Não podia voar alto pois serrara-lhe
as metades das asas.

Muitas: uma vez mais
Fizera feliz a menina encantada
Enquanto pode viver

não.
Silenciou-se o Criador
Acompanhou quieto a morte
Tragar a vida da pobre criatura
Que de alegria a vida toda cantou.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Eu

EU abraço o MUNDO
com meus BRAÇOS
Vivo alargando limites
e me esgontando.
Alcanço novas alturas sem essas desculpas.
Me autodestruo.
Não me preocupo.
E pouco me importo com você.
A morte não é meu FIM mesmo.
E se disser que sou esgoísta
por querer ir embora.
Deixo pra sua própria acusação
seus prazeres e glutonarias
que nem um pouco te satisfazem
mas bebem do seu sangue.

terça-feira, 30 de março de 2010

Eu, decadente.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Quase Meia-Noite



Quase nasce um dia
ta quase pra nascer
E não te encontro
Bem que, sua distância me acostuma
Descanso feliz
E sua presença me incomoda.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Te vejo

Reflito sobre o que é realidade
O que é ilusão
O tempo passa, descubro que só
você é de verdade
Muito além de tudo que
sonhei em imaginar
Choro no seu colo
E ainda anda comigo
Me espera em dias cinzentos
Sorrindo, sorrindo no portão,
De vestido
Sei,
Só ainda não descobri,
O quanto gosto de você

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Deitado na Grama



Queria ficar calmo
Você apareceu
Queria te ver ao meu lado
Você retrocedeu
Outra vez quiz me acalmar
Mas nem precisou aparecer

Ja estava aqui dentro

Na dúvida se você me ama
passei a atarde deitado na grama
Dói, ter que te esperar
Se vale a pena
A resposta

Ja está aqui dentro

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

É mágico
Entendi tudo que você quis dizer
Esses pássaros azuis que avoam por aqui
E se bem que nem quis a janela fechar
Não tinha nem um quarto só meu
Sou andarilho, eterno
Para, pelo menos, tentar guarda-lo pra mim
Sei que foi sem querer
Por isso nem tentei
Agora, a solidão e a nostalgia sim
Essas, andarilhas, ficaram sem eu pedir

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Seria inocente



S'eu desmarcasse tudo que marquei esta noite
Se eu dispensasse o luar
Se mais uma vez te contasse meus sonhos

Seria inocente

E se eu disser que sinto saudade
Se em meu planos te ter
E quisesse que amanhã tomássemos café

Seria inocente

Te guardo com direito, bem lá dentro
Te guardo do meu jeito, la no fundo do peito
E não há razões para não ser

Dias assim

Quando tudo entre nós parece desmoronar
E meu desejo é me refugiar no horizonte
Olho nossa foto
Te vejo tão perto, exalando seu doce respirar
A arrevoar seu espírito de doçura
Descubro
Que és quem Deus escolheu
Pra espalhar calor e sonhos
Tranquesas e brincadeiras
Arrevoantes, como seu jeito
Descubro
Que se você cair eu te seguro
Se chorar, enxugo suas lágrimas
Se ficar feliz...
Sorrio com você

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sem alguém saber

Pela primeira vez,
Depois meses,
Vi, de seus olhos, escorrerem lágrimas.
Andou a noite inteira, de um lado para o outro
Sem dizer absolutamente nada, até as 3 da manhã.
Observei seu café esfriar sem muitas importâncias.
Me segurei para não me ajoelhar
Diante da tamanha angústia
Se meus olhos não manifestaram fraqueza
Apenas umas certeza ficou
Minha alma, sozinha e compadecida, chorou

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Suplício de Indecisão

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Instinto Incontente

Vivo fim da manhã de tênis apertado
Vive um pássaro, cantante, encarcerado
Vive Compondo um canto amargurado
Telhados e fachadas não pode mais sobrevoar
Faltou lhe os galhos que a vida resolveu podar
Sem essa possibilidade
De instinto incontente, se alvoroçou a alma
Engatilharam-se as asas
Arregaçou o peito
Num impulso, meio sem jeito
Arrebentou a gaiola
Resolveu voar

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Adoro as mulheres gordinhas

Já tenho a minha,
porém com respeito quero falar
Da mulher gordinha,
seus encantos quero ressaltar

São lindas suas formas
e até o caminhar me desperta paixão
Suas curvas são como a mais linda rosa
que tem voltinhas no botão

Ela é cheirosa
Tem uma beleza sobrenatural
A maioria é fogosa
Tem cuidado e carinho sem igual

Uma verdade pura agora quero lembrar
Quem ainda não ficou gordinha, um dia vai ficar


Sendo assim desejo-a nessa medida
E pra sempre quero a querer
A gordinha foi e é minha preferida
e pra sempre há de ser

Rimar sem

Teve um alguém
Que ninguém sabe quem
Me ensinou a não rimar o último verso da poesia
Mas, rimo o anti-penúltimo e vou além
E deixo o último com rima também
Amém

O prazer no fim de uma manhã

É meio dia e dez
Eu coloco o relógio pra despertar,
às seis e meia da manhã
Não sei o que tem na minha cabeça
Sinto uma mulher mal cheirosa
E coisas bonitas
Um belo vestido feio
Um Fiat 147
Não sou bom em muitas coisas, mas
em algumas, me disseram que sou excelente
Eu digo que é assim
Qualquer um pode morrer se estourar a cabeça enfiando-a debaixo de uma das seis rodas, grossas, pesadas e fedorentas de borracha preta de um desses ônibus azuis.
Redescobri o prazer de escrever.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Lavê - Em Creolo i os Cafundó

Cabaré colorido



Nessa noite vi uma muié noviça
Com as perna de fora, roliça
Vi chegar a políça
Pra tapar suas perna, lisa, à mostra
Ôh dó queu tenho de quem um dia virou puta
E seu colo foi de muitos.
Perdeu a capacidade de virar o zóio
só com um só par de sovacos.
Oh dó que eu tenho do mundo.

sábado, 28 de novembro de 2009

ReveR

Quem tivera um dia motivos pra sorrir por amor
Sonhaste o querer mais puro com furor
quando não sentia solidão na hora de deitar
E se alegrava por não ter quem rever.
Por ter deixado marcas na partida
Esse alguém, como todo alguém,
Provou a desolação do amor quebrado
A confusão de um amor amargo
Aprendeu a desolação
de mais amar demais e
ter que se reinventar por tudo isso.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Não me deixe almoçar só

Ele amava muito. Ela estava um pouco acima da média.
A vida não
Não tinham mais o sabor normal das coisas
O almoço foi uma merda
Mas o abandono
Naquela hora
Era perder o apetite e deixar de viver


sábado, 21 de novembro de 2009

Hoje vai ter almoço

Meu quarto parece minh’alma
Ambos precisam de arrumação
Precisa se alimentar
Um espírito doente em corpo fraco
Vejo na sombra do portão
Babados coloridos que cobrem pernas calejadas
Alguém venceu a guerra
para vir ma dar a mão
Trouxe suas panelas de pedra nas sacolas
Decidiu doar delas, a dedicação
Hoje vai ter almoço

Almoço

Arroz,
Feijão, alface
Salpicão
Angu
Couve

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Pra Você Entender

Sofri demais
e quando pensava não ser capaz
de conseguir, outra vez, viver;
amei.
Encontrei em seus olhos que fizeram parecer nada
todos os outros que olhei,
a alegria de uma nova chance,
Uma nova vida que acaba neste instante
de começar agora!
Isso é real. Eu vi.
É o que sempre sonhei.
Se for preciso, repito mil vezes pra você entender.
Eu amo você.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Estou cada vez mais louco

Estou cada vez mais louco
só me resta
ganhar dinheiro



cHEIO DE LIXO NA cabeça
produzindo coisas sujas
fedendo de cigarro
ouvindo palavras xulas
me apoiando em pilastras podres
cantando desafinado
andando com gente sem mãe
pelo menos estou respirando

terça-feira, 27 de outubro de 2009

desarraANJO do amor

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Esquisofrenia da debilitação

Chorava quando as idéias vinham em sua cabeça. Um turbilhão de possibilidades Criativas sufocavam manhãs quentes que eram pra ser calmas..
quebrou
a cara
e sorriu
Aos poucos construiu universo
onde ele mesmo era seu amigo
e na maioria das vezes, seu inimigo
Seu amor. Seu Gênio e sua consolação
Auto-suficiente



correu.
Delirou!
se tornou artista contemporâneo!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Poema da correria




Pr'aquem necessita
e não tem momento de criar
fez-se Haikai

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

DeVolta



Madrugada, acordei três vezes
Mente agitada a implorar por paz
Afrontei pensamento maldito que há muito me doía
Caminhei rumo a paz que minh'alma pedia
Num jardim sereno caminhei
A esperar a colheira do que um dia plantei

Algo diferente me trouxe inquietação
Árvores secavam mesmo sendo primavera
Alguém que eu espera segurou minha mão
E com lágrimas no olhos percebi o que era

A luz da aurora ceifou os frutos de condenação
E apagadas foram, do passado, as sementes de maldição

Não lembro mais de qual dor foi embora
Embora sim, de um flagelo que me fez aprender
Amanhã este estará melhor que agora
Pois hora sim é, de respirar ar puro e viver

Alívio
Feridas saradas
Paz que excedeu todo meu entendimento
Sorri
Chorei
Doce foi a sua chegada.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ato

Ato dois. Já fomos apresentados
Aspectos e fatos, meras insinuações
Parto, pois estão os caminhos traçados
Rumos insensatos num final de decepções

Ambiguidade, cimento, calor humano
Velha cidade, tormento, dor do engano

Mundo pequeno guardado em prateleira suja
Sonhar e opções [únicos, afinado por caminhar
Desejo veneno, filtrado em mente turva
Miar ambições únicas, determinado a realizar

Realizar sonhos é mudar rumo da vida

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Mondo



Lugar só deu
Bem difícil pra qualquer intruso, puto
.
Pneumonia
Amor fingindo (e medíocre)
Prostituta em caminho errado
Leso
Arrependida
Boa e à todo meu bem querer
saco
irmão's
.

Todos esses são meus amigos.
Cada um pra mim.
Eu pra eles...
Não faço questão.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Avoa

Avoa bicho inintelegivel
explora sua alma
descansa
depois corre
pra vencer a dor
Livra a mão de pesos vãos
Tira do coração motivos bobos
haverá o amanhã sim
mesmo se ele for na glória.
Ao lado de quem sempre quiz estar.
Anseia pela morte
Morra pra condenação
Entregue seu melhor
Respire liberdade
Desperta
Avoa

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pessoas

Dor no coração se cura com esquecimento
e compartilhar ajuda
Se prepare, por não ter jeito de não enfrentar
a ingratidão
Se coisa boa isso trás:
É a vida e as pessoas como realmente são.
Mas se tanto te doer
As pessoas choram por não Ser nos outros
Engula a indiferença

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Prece

Em consideração

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Certo

Se tudo desse certo
A namorada não fosse embora
A banda fizesse sucesso
A obra saísse perfeita
O cigarro não fosse tão atraente
Eu conseguisse chegar no horário
O Casamento fosse pra’lém da morte
Sua arte vendesse
E a empresa crescesse
Ou o novo emprego fosse certo
Vida fosse sorriso, só
Algueins não ficariam contentes
Coração da gente é eternamente insatisfeito
Até mesmo cheio de Deus se quer mais
Apesar de ser suficiente

sábado, 29 de agosto de 2009

Quer casar comigo.




Quero compartilhar
O que pensei por um segundo
É que se junto nóis ficar
Do meu lado você tem o mundo

Mundo todo agitado
Com poemas coloridos
Jardim bem regado
Donde dores nascem sorrisos

As lágrimas derramadas
São de muita valia
Sementes de amor plantadas
Que florescem com o raiar do dia

Tudo pra você sorrir
Toda a força do meu braço
E mesmo se a tristeza vir
Deita e dorme em meu abraço

Vamos vamos que é hora
De escrever a nossa história
Vamos livres correr

Quando vem o amor, nunca vai embora
Com amor em casa chega-se à vitória
E à alegria de viver

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Aguado

Não digo que daria tudo por um beijo seu
porque tudo inclui a vida
Se sozin ando
Se contigo subo
Não esperar te sonho
Eu aguado e mudo
Vi mergulhar em
sua saliva
Não é ela que me atrai
É o centro, o miolo que só eu enxergo
com os olhos do coração
Amargo que se tornou tudo
tanto que
só a distância adoçou
Não digo que daria o mundo
mas sabes e finges que não
Tudo aquilo que te dou


Beijo doce resolve meses de acidentes na memória

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Nada: sentido

Foi embora.
Precisava era de uns bons amigos.
Se em suas costas carregava 12 balaios de coisas não boas
resolvera subir o monte e jogar tudo ao vento no penhasco.
Ficou amargo.
pelo menos, percebeu
Se afastou devagar, de modo que conseguiu não ser notado
se é que um dia foi notado.
Não se justificou porque tudo que as pessoas achavam,
ele tinha certeza.
Nada
mas nada de
nada mesmo
valia nada.
e mesmo se a poesia dissesse que valia tudo,
pr'ele, as coisas sí valiam
pela poeta apaixonada
Apaixonada.
o nada me volta.
Nada.
Nada.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Texto pessoal assumido

Agora que estou chegando aos 30, Quero algumas coizas de prezente.
Não pressiza se preocupar em me agradar, apenas ouça eu ti pedi.
Quero escrever livre. Sem pontuação nem nada. Nem vírgula nem nada. Poder repetir mesmo. Deixar as palavra me fuji em textos também. como fógi na vida real. na verdade qero mais é coisas qui noum se podi daR. Como liberdade experessetiva.
Deuxa eu subverter um pouco, pra rir sozin em madrugada. Como é bom escrever assim ouvindo musicas creadas a (há) mais de muitos anos. Que bom falar que chico boarque é um bosta. Q o cinema do bressane é uma merda. q o roberto carlos não é rei nem do banheiro dele. q o pelé não era bom, eram os jogadores da época que eram ruins. Q a maioria da pessoa q conheço são inferiores a mim. assumir que sou burro mesmo. q adoro aquela musica feia do érasmos carlus, e o tóquinho do la bele de ju. q adoro pop arte, mas não sou gay. q Acossado ou sobre o suflÊ é legal, mas não é genial. I qui os intelectuais fingem de desinterassados. bando de burro. dizê que mais nada é merda nenhuma. E que não quero nada. Alem do nada. Queria escrever um texto assumidamente pessoal, cei que você dexa Mais a vergonha me percegue. Deixo eu ir embora.
.
.
retiro tudo o que diçe.

Poeta da alegria

Ta uma confusão aqui
Mas que tudo bom.
???
vida boa. subida de altura.
tudo bom
bom dimais.
Tudo que quis
até risada
café,
sucesso,
a Paz. Mãe. A paz.
rapadura.
Sorriso.
i liberdade só!
êH Deus. só na calada sô.
vou criar a compartilharção
pra te dar um pouco de sorriso
e alegrar sem base.
Mesmo se fô momentâniamaniadealegria
Quero dimais v sorriso seu.

Companhia aqui e tristeza lá fora



Dia nublado. Quanta tristeza já me trouxe.
Caindo a chuva fina à noite.
Molhadas estão as cabeças dos desolados.
Se afogam em lágrimas. Enxergam a desilusão.
Foi Deus quem fez a chuva.
Para te talvez traga solidão.
Madrugada fria. Gélida.
Chuvisco voltou a cair.
Abri a janela, molhei pontas dos dedos
e me dei conta de como era bom companhia ter.
Toquei seu rosto
E não consigo explicar como foi bom
ver seu sorriso.
De certo, sonhava sonhos bons.
Da próxima vez que chover quero me tornar mais frio
quero enxergar a tristeza, daqui, lá fora.
Eu quero.
Sim.
Durmo.

no encontrar (tudo que precisava)

Por tanta ironia da vida, não era de se estranhar que encontrasse Deus em um banco de praça, de costas para uma grama bonita. Inconsciente e desligado, protagonizou um diálogo perfeito – aquele que sempre sonhou em escrever:
– Vem aqui. Por que isso tudo? C num tem coração não? Por que você nunca faz nada e fecha os olhos pra tudo isso?...
...
– Deus, c é muito burro!
Ô maluco – Deus é sorriso – cheguei, agora, aqui. Porque quis. Considera tudo que você falou a você mesmo. Você estava falando com sua própria consciência. Eu posso não estar, mas tô aqui e não preciso te levar a uma cabana, nem matar sua filha pra que me encontre. Quem fecha os olhos não sou Eu. Ta tudo aqui na sua frente. Dentro de tu mermo.– Como eu vou te encontrar então se meu dilema é por sua causa?
Se poucas palavras pudessem definir como você me encontra...
...
– Sumiu Deus?
Não. Nunca sumira. ‘Sumiço’ dependia Dele não sumir.
– Tudo bem... inexorável
– Deus. Está aqui? Sei que está.
Não sorriu, nem nada. Queria era chorar. Desorientado. Levantou e caminhou.
Mais a frente encontrou um homem que queria lhe vender uma casa – queria se casar.
Na esquina, se encheu de comida, nem boa, mas deliciosa – precisava ter prazer na vida.
Na visita orou por alguém doente – precisava se sentir útil.
Indo embora, abraçou a mãe de alguém – precisava ser abraçado...
... e foi.
Caminhou no encontrar Deus.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Banco

Escreveu seu nome no chão, com todas as coisas que havia recebido, a chorar como criança. Essas lágrimas, às quais tanto resisto, por citar ser, de longe, desconfortáveis demais. Se derramou infeliz, inconsolado, quebrando nos dentes uma má paixão – suja. Debruçado, cuspiu em lembranças de quem um dia tripudiou em seu território e brincou em sua mente. Foi-se um fracassado.

Uma moça de quem me recordo

Queria tanto ficar quieta
Desta vez fazer a escolha certa
Ficara cada minuto mais inconstante
Cabisbaixa, catando cantos de rua
Tinha cara de chorosa
Escrevia poesias fraquinhas e se sentia superior por isso
Lágrimas - não
Não conseguia aproveitar nada de verdade
Lia textos, mas nunca prestava atenção
Perdeu o que realmente valia, ali
Vendo-se e ao seu redor estava distante
Começou a copiar
Tadinha
Até que um dia descobriu:
suas poezinhazinhas eram a prova de seu fracassozinho
Lágrimas - não
Desistiu de se expor
Se envergonhou de ser humana
e apagou tudo que tinha escrito.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Manhã, atordoado

É lindo o brilho do sol nos seus cabelos
Brilha feito seda de lençol
Embolada em novelos
pra tocá-los ferira como linha com cerol
Seda roxa, de jeans colado, cós baixo, meia-calça amarrom
Como rimo,
se em rimas simples ja sinto desatino
de num saber criar?!
Escuto letras significativas,
de aflorar minhas tentativas
e tentar descansar.
Noite acordado,
pulso cortado,
de sangue sujo o chão
morro calado
dou, mesmo não querendo dar trabalho
sem ter ninguém
e alguém pra consertar

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Viva

Chegou a hora de buscar suas coisas no apartamento dele.
O coração, que nesses três dias quase ficou cauterizado, doía agora. Dor forte e inconsolável.
Lágrimas, não citarei.
O coração chorava amargo.
Não dava pra entender.
Amou tanto. Agora odiava. Mas amava.
A ignorância dos dois. Comum.
Sem perdão mesmo ambos errados.
Filha, senta aqui. Vou lhe ensinar algumas coisas
Por que fazer isso?
Por que sempre fugir dos problemas e
errar de novo?
Um relacionamento não depende de um parceiro ideal,
mas de você ser melhor.
Covardia de querer sempre fugir das coisas chatas
Mania de deixar o outro com seus problemas em vez de ajudá-lo a mudar
Porque sofrer a partida, em vão?
Não é melhor sofrer por uma causa?
Fico triste por você não ter esperanças. Não acreditar mais.
Por suas amigas acharem que você é uma fracassada.
Não é melhor sofrer por uma causa?E cá prá nós, tem dor melhor que de amor?

Senhorita

Menina bonita, meio esquisita
Resolveu estudar
O tempo passou, somente estudou
Esqueceu de se casar

Seguiu o destino, sem ter menino
Foi sempre magrinha
Chorando ou sorrindo, nada dividindo
Envelheceu sozinha

Muito conhecida, foi bem sucedida
Mas carregava uma dor
Pouco sentimento, muito conhecimento
Quase nada de amor