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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sobre

Sentia um frio que rasgava a alma
Como frio dos dias de inverno em que não tinha agasalho
Vejo que Deus mudou isso de alguma forma
Se antes achava que, pela solidão, ele tinha me ferrado
Agora agradeço pelo ar, pelo sol e pela água quente que cai sobre minha cabeça
Não que esses prazeres me tirem o peso de existir
Pelo contrário, me fazem não entender mais ainda
Toda essa desordem que no mundo impera
Por que ele deixou tudo isso acontecer?
Sinceramente não sei
Digo que não há razões pra ele fingir de bom
Eh você quem vai colocar o dedo na cara dele?
Hoje. Não digo que o conheço muito
Apesar de andar com ele, já há algum tempo
Sinto que ele é um amigo que nunca vai deixar de ser interessante.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O pobre profeta da desgraça

Acho que já cheguei longe demais
Pra um pobre e sujo menino catarrento, fiz façanhas
Cheguei longe mesmo, pois atravessei as montanhas sozinho
Passando fome e passando frio.
Dormindo emaranhado à solidão.
Mas foi tudo capengando.
Já disse e repito.
Minhas lágrimas mostram mais uma vez
Sozinho, não consigo
Eu repito mais uma vez
Sozinho, não consigo.
Já disse isso várias vezes olhando em vários olhos
E suplicando favorzinhos.
Minhas súplicas não valeram a preocupação dos outros
Pelo menos foi o que me mostraram.
Estão mais preocupados com seu lanchinho diurno e sua dor de dente.
Saio pra rua. Grito mais alto.
Hey! Sozinho, não consigo, preciso de ajuda.
Mas agora não sou tão humilde assim.
O opróbrio, também, já passou da conta, né!
A vida nem me recompensou pelas bondades que fiz.
Pelo contrário, a cada dia me dava mais socos na cara.
Pois bem, não me importo mais.
Que Deus derrame todo seu descaso sobre suas tribulações
E que chore todos os dias, depressivo e doente,
pequeno e tão insignificante diante de seus problemas.
Eu limpo meus pés e tiro a poeira do seu quintal
que impregnou em meus sapatos.
Espero que ela mate sua fome e cubra sua desgraça.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

no encontrar (tudo que precisava)

Por tanta ironia da vida, não era de se estranhar que encontrasse Deus em um banco de praça, de costas para uma grama bonita. Inconsciente e desligado, protagonizou um diálogo perfeito – aquele que sempre sonhou em escrever:
– Vem aqui. Por que isso tudo? C num tem coração não? Por que você nunca faz nada e fecha os olhos pra tudo isso?...
...
– Deus, c é muito burro!
Ô maluco – Deus é sorriso – cheguei, agora, aqui. Porque quis. Considera tudo que você falou a você mesmo. Você estava falando com sua própria consciência. Eu posso não estar, mas tô aqui e não preciso te levar a uma cabana, nem matar sua filha pra que me encontre. Quem fecha os olhos não sou Eu. Ta tudo aqui na sua frente. Dentro de tu mermo.– Como eu vou te encontrar então se meu dilema é por sua causa?
Se poucas palavras pudessem definir como você me encontra...
...
– Sumiu Deus?
Não. Nunca sumira. ‘Sumiço’ dependia Dele não sumir.
– Tudo bem... inexorável
– Deus. Está aqui? Sei que está.
Não sorriu, nem nada. Queria era chorar. Desorientado. Levantou e caminhou.
Mais a frente encontrou um homem que queria lhe vender uma casa – queria se casar.
Na esquina, se encheu de comida, nem boa, mas deliciosa – precisava ter prazer na vida.
Na visita orou por alguém doente – precisava se sentir útil.
Indo embora, abraçou a mãe de alguém – precisava ser abraçado...
... e foi.
Caminhou no encontrar Deus.

sábado, 20 de junho de 2009

Mereça

- Já te disse que você merece o mundo? Mas tenho tão pouca coisa aqui.
- Você não pode me dar nem o seu mundo, como quer me dar o mundo todo?
- Eu quero. Não basta querer?
- Basta não. Dói te dizer isso.
- Desculpa.
- Aqui não é lugar pra pedir desculpa. Ninguém se ilude por maldade, tanto quanto quase ninguém brinca de conquistar por querer ver a dor alheia.
- Eu posso te agradecer?
- Acho melhor não.
- Acho que não sou capaz de te dar o último beijo.
- Pode deixar, as lágrimas se encarregam de tocar minha face quando você sair. E saiba de uma coisa só. Precisa ficar receoso não.
- Eu vou ficar com uma foto nossa.
- Eu fico bem. Só mesmo vou pensar em razões denovo.
- Será que um dia eu vou acordar e ter que abrir os olhos? Me arrepender?
- Talvez... Talvez...


sexta-feira, 22 de maio de 2009

Inerte como as aspas e as idéias dos idiotas




Ei. Sou muito mais que as músicas que eu canto e gravo pra eu mesmo ouvir. Sonho coisas grandes mesmo. Pra você pode parecer impossível, mas pra mim são apenas grandes. Fotografe sua expressão quando me ver realizando-as. Vai ser mais um motivo de felicidade. O que posso fazer se não correspondo à sua maldade? O que posso fazer se em vez de responder sua ação com uma reação, eu invento outra ação e faço diferente? Não sou culpado por não ter em mim o mesmo teor de mediocridade que viaja em suas veias. Você só conhece minhas dores por que fui transparente. Pensa que não sei o que te estremece os ossos e desmascara esse sorrisinho amarelo? O que posso fazer se pendurei uma boneca de pano, loira, no espelho do quarto, vestida de azul com um bilhete pregado em suas mãozinhas de espuma dizendo que me ama? Gosto de coisas pouco gostáveis mesmo, mas saborosas. É um prazer. Ando no sentido contrário. Olho diferente. Acredito em outras coisas. Posso me dar mal? Sim, mas quando isso acontecer e se por acaso eu me cansar de andar certo, me torno como você. Inerte, como as aspas que garantem qualquer idéia de qualquer imbecil. Uma merda qualquer. Te amo.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Amanhã não vou mais amar


- De onde vem o amor, pai?
- Vem de querer o outro bem e participar da felicidade dele.
- Quem escolhe o amor pra gente?
- Ele nasce como semente de melancia. Alguém joga fora e um dia sem se perceber, você está amando.
- O amor é bom?
- Como o doce da rapadura, a cor do arco-íris e o molhado da água morna.
- De onde vem o amor, pai?
- Da mente e do coração.
- E por que a gente sofre tanto?
- De amor?
- De amor.
- Se você não ficasse doente, saberia como é bom estar são?
- Pai.
- O sofrimento faz parte da vida, filho.
- Amanhã de manhã, não vou mais amar.
- Assim você não vai mais sofrer?
- Sofro de todas as formas, mas longe, bem longe, a ferida não fica aberta toda hora.
- Filho.
- Não consigo mais, pai.
- E se todo sofrimento estiver na sua cabeça?
- Então o amor não faz sentido.

Tudo bem




Tudo bem, fico aqui escrevendo coisas, encobrindo sentimentos e suprimindo desejos. Aceitei o meu lugar. Pouco a pouco eu o aceito novamente e já consigo ter prazer nesse sofrimento. Essa falta já me faz falta quando fica longe e ai de quem quiser tirá-la deu. Minha causa é simples, mas ordinária demais e não sinto vergonha de amanhã me render novamente. Por enquanto, deixe-me aqui. Eu ligo o rádio e não fico no silêncio. Eu abraço as palavras, sou ferido por elas também. E por que não recorrer ao choro? Para parecer melhor? Sorrio dessa possibilidade também.